Como
foi a descoberta pela arte? Foi ocasional ou vem desde a infância?
Quando garoto, vi um amigo desenhando e ao chegar em casa peguei lápis
e papel e fiz também um desenho. O amigo viu e me incentivou. Descobri
então que queria ser desenhista.
Por
que a opção pela Revista em Quadrinhos, as tiras de jornal e desenho?
As histórias em quadrinhos foram os meus primeiros contatos com as revistas.
Vindo de um lugar muito pequeno onde não chegava nem revistas nem jornais.
fui morar em Jacobina e lá primeira vez conheci o cinema e as revistas
de histórias em quadrinhos e me apaixonei por ambos. Depois comecei a
publicar as histórias e tirinhas em jornais.
Como
nasceu a Turma do Xaxado?
Sempre fui preocupado com a valorização da cultura brasileira,
então achei que era hora de fazer uns personagens com a minha cara, uma
turma que passa por problemas que também passa grande parte da população
brasileira e a Turma do Xaxado é isso, fala a linguagem nossa, principalmente
do povo do interior.
Como
foi chegar ao formato e ao sucesso com a Turma do Xaxado?
O sucesso ainda não chegou. Quanto ao formato foi como falei antes; queria
fazer algo que fosse a cara do Brasil. Pesquisei muito para chegar numa figura
que fosse bem representativa e a figura do cangaceiro caiu como luva. Além
de ser uma figura forte que até hoje é referência de brasilidade,
ela é única no mundo. O passo mais difícil foi como situar
essa referência de cangaceiro, que viveu na década de 30, aos dias
de hoje. Mas acho que consegui.
Que
outras atividades desenvolve Antonio Cedraz?
Temos um estúdio de desenho que, além da Turma do Xaxado, faz
desde uma simples ilustração para revistas, jornais etc. até
criação de revistas de histórias em quadrinhos educativas
ou promocionais sobre qualquer assunto, sérios ou infantis. Dê
uma olhadinha: www.estudiocedraz.com.br
O
seu trabalho está mais voltado para o público infantil, ou você
direciona para outras faixas etárias?
As tirinhas são meio a meio. Como primeiro são publicadas em jornais
e o público do jornal é mais adulto, tentamos fazer uma historinha
que agrade a todos. Nas revistas, as historias são mais amenas. Em ambas
sempre tem uma coisa de preocupação com a valorização
de nossa cultura. Não queremos fazer uma historinha apenas divertida,
alienada.
O
que você espera do mercado editorial?
Uma maior valorização do leitor brasileiro para as coisas feitas
no Brasil. Chega de Mangás e histórias que não tem nada
a ver com a gente. Vamos respeitar e compara livros e revistas que fale da nossa
gente, das nossas coisas. Será que um dia isso vai acontecer? Espero
que sim.
Quais
as suas perspectivas profissionais?
Conseguir que o nosso trabalho seja mais reconhecido no Brasil,. Mas o caminho
é muito longo.
Que
projetos pretende desenvolver?
Por enquanto trabalhar mais o Xaxado. Este ano, estamos com muitos projetos.
Pretendemos voltar a fazer uma revista mensal, fazer uma coleção
de livrinhos e até licenciar os personagens para produtos e serviços.